ESEC dos Caetetus
SP

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Áreas de Observação

Estação Ecológica dos Caetetus

A Estação Ecológica Caetetus é uma unidade de conservação de proteção integral localizada nos municípios de Gália e Alvinlândia , Estado de São Paulo, com área de 2.178,84 hectares, que foi criada com a finalidade de perpetuar, preservar e tornar possível estudos e pesquisas básicas em remanescentes de vegetação natural, pois “referida área, do domínio do Estado, conta com espécie da flora e da fauna características, algumas em processo de extinção e parcialmente protegidas, para trabalhos de ecologia e educação ambiental ou conservacionismo”. (Decreto nº 26.718 – Exposição de Motivos)

Caetetus possui um dos últimos remanescentes de mata atlântica do interior e é uma das maiores áreas contínuas desse tipo de floresta (Estacional Semidecidual) em terras paulistas. Essa era a vegetação que revestia a maior parte do Planalto Ocidental Paulista e que hoje está restrita a menos de 6% da cobertura original.

Segundo o Plano de Manejo, ‴Essa floresta, provavelmente, é parte do ecossistema mais devastado no Brasil, por estar localizada nas regiões mais desenvolvidas e densamente povoada e por, geralmente, associar-se a solos de fertilidade média a alta, os mais procurados para expansão da fronteira agropecuária. As espécies de madeira nobre mais conhecidas e mais utilizadas no Brasil no início do século XX eram quase todas provenientes dessas florestas, incluindo o cedro, a peroba, a cabreúva, os ipês, o pau-marfim, o jequitibá, o guarantã, o amendoim e muitas outras.

A Estação Ecológica dos Caetetus guarda uma boa amostra do ecossistema original, reunindo populações dessas e de muitas outras espécies, umas mais outras menos conhecidas e valiosas, assegurando a sua preservação para fins científicos e para a produção de sementes e a multiplicação das espécies.‴

A relevância da área dá-se por isso e pela presença de animais ameaçados de extinção, entre os quais se destaca o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus).

Pequenos córregos percorrem a área e se unem antes de desembocar no rio São João, que por sua vez deságua no rio Turvo e este no rio Paranapanema. No curso médio desses córregos há cachoeiras e poços profundos esculpidos no arenito.

“A presença de palmitos, musgos, samambaias, avencas e figueiras é comum ao longo das margens, no fundo dos vales nesta zona”.

“Embora sejam córregos pequenos, abrigam fauna rica e abundante, especialmente nas cabeceiras, que são locais freqüentemente ricos em biodiversidade aquática (Vannote et al., 1980; Sheldon, 1988).

O clima, segundo a classificação de Köppen, é do tipo Cwa, mesotérmico de inverno seco com temperaturas inferiores a 18oC no inverno e superiores a 22oC no verão. No mês mais seco o total da precipitação não passa de 30 mm, atingindo a precipitação anual de 1.100 a 1.700 mm.”

Mastofauna

Há registro da presença dos seguintes mamíferos de médio e grande porte: mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), bugio (Alouatta fusca), suçuarana (Felis concolor), jaguatirica (Felis pardalis), cateto (Tayassu tajacu), queixada (Tayassu pecari) e anta (Tapirus terrestris). Não há informações sobre mamíferos pequenos.

Avifauna

Apurou-se nos levantamentos para elaboração do Plano de Manejo que das espécies registradas “150 (75%) vivem na mata, 63 (32%) preferem as áreas abertas, 11 (5,5%) habitam as áreas de brejo e 10 (5%) habitam, preferencialmente, as matas ciliares” e que “desse total, 121 (61,73%) são consideradas abundantes, 15 (7,65%) raras, 2 (1,02%) ameaçadas e 58 (29,59%) não foi possível determinar o status.”

Na elaboração do Plano de Manejo da ESEC Caetetus foi gerada uma tabela das aves cuja presença tenha sido registrada na área. Essa tabela, além dos nomes populares, contém os nomes científicos das espécies. A listagem abaixo, porém, apresenta apenas os nomes populares. Para obtenção de maiores detalhes, deve-se consultar Plano de Manejo (link no rodapé).

Relação: nhambu-guaçu, nhambu-xororó, nhambu-xitã, perdiz, codorna, socozinho, garça-assoviadora, urubu-rei, urubu-comum, urubu-de-cabeça-vermelha, gaviãzinho, gavião-pomba, gavião-indaié, gavião-peneira, gavião-acauã, gavião-caburé, gavião-pinhé, gavião-caracará, gaviãozinho, jacupemba, uru, saracura-sanã, saracura-três-potes, saracura-do-brejo, sanã-carijó, quero-quero, maçarico-solitário, pomba-asa-branca, pombinha-de-bando, rolinha, pomba-de-espelho, rola-fogo-apagou, juriti-gemedeira, juriti-da-mata, juriti, juriti-vermelha, maracanã, periquitão, tiriba, tuim, maitaca, chiquã, anu-preto, anu-branco, papa-lagarta, corujinha-do-campo, tuju, curiango, bacurau-ocelato, andorinhão-de-coleira, andorinhão-preto-de-cascata, andorinha-do-temporal, beija-flor-de-rabo-branco, beija-flor-tesoura, beija-flor-de-orelha-violeta, beija-flor-dourado, surucua-de-barriga-amarela, surucua-de-barriga-vermelha, martim-pescador-grande, martim-pescador-pequeno, juruva, bico-de-agulha, joão-bobo, joão-barbudo, macuru, araçari-banana, tucano-de-bico-verde, araçari-de-bico-branco, pica-pau-anão, pica-pau-do-campo, pica-pau-louro, pica-pau-de-banda-branca, pica-pau-de-testa-amarela, pica-pau-branco, picapauzinho-carijó, picapauzinho-anão, pica-pau-rei, arapaçu-liso, arapaçu-verde, arapaçu-de-garganta-branca, arapaçu-grande, arapaçu-rajado, arapaçu-do-cerrado, pichorolé, ui-pi, limpa-folha, barranqueiro-de-olho-branco, bico-virado, limpa-folha-marrom, tiriri, joão-de-barro, chocão-carijó, borralhara, choca-barrada, choquinha, choquinha-lisa, chorozinho, trovoada, choquinha-vermelha, zizeide, olho-vermelho, tovaquinha, chupa-dente, caneleirinho-verde, caneleirinho-preto, canaleirinho-de-chapéu-preto, anambé-branco, anambé-branco-de-asa-preta, araponga, tinguaçu, soldadinho, tangara-dançador, flautim, noivinha-branca, viuvinha, tesoura-do-brejo, freirinha, suiri-pequeno, gritador, tesourinha, suiriri, peitica, bem-te-vi-do-bico-grosso, bem-te-vi-rajado, bem-te-vizinho, bem-te-vi, mosqueteiro-rabo-enferrujado, mosqueteiro, irré, papa-mosca-cinzento, enferrujado, guaracavuçu, Filipe, patinho, bico-chato-de-orelha-preta, teque-teque, ferreirinho-de-cara-amarela, relógio, olho-falso, miudinho, borboletinha, mariquita-amarela, alegrinho, guaracava-de-barriga-amarela, guaracava-de-penacho-amarelo, guaracava-de-orelhas, risadinha, cabeçudo, estalador, andorinha-de-sobre-branco, andorinha-grande, andorinha-de-peito-branco, andorinha-pequena, andorinha-serradora, gralha-do-campo, gralha-can-can, corruíra, arrebita-rabo, sabiá-laranjeira, sabiá-poca, sabiá-de-coleira, juruviara, chevi, guaxe, pássaro-preto, rouxinol, mariquita, pica-cobra, canário-do-mato, pula-pula, pula-pula-assoviador, figuinha-de-rabo-castanho, sai-azul, gaturano, sanhaço, bico-de-louça, tiê-da-mata, tiê-preto, pipira-preta, tiê-de-topete, saira-de-chapéu-preto, saira-de-papo-preto, sai-andorinha, trinca-ferro, bico-de-pimenta, tiziu, coleirinho, tico-tico-rei, tico-tico-de-bico-amarelo, tico-tico-do-campo, tico-tico, canário-do-campo, pardal.

História

A História abaixo é um pouco longa, mas merece ser lida.

Narra o P.M. da ESEC Caetetus que ‴Em 1915, após cinco anos de estudos nos Estados Unidos, Olavo Amaral Ferraz regressou ao Brasil. Trazia consigo, além do curso realizado em um dos melhores colégios americanos, uma intensa experiência de caça, esporte que praticava todo fim de semana nas fazendas dos colegas de escola. Pretendia voltar aos Estados Unidos e lá se estabelecer definitivamente, mas isso não se concretizou, pois seu pai já lhe tinha planos para o Brasil. Na ocasião contratou um guia para acompanhá-lo as caçadas na Serra do Mar. Olavo Amaral Ferraz aceitou a proposta do pai e começou a trabalhar como Comissário de café na cidade de Santos (SP). Posteriormente, foi nomeado corretor oficial da Bolsa de Café em Santos. Seus negócios progrediam e idealizou adquirir uma gleba de matas, no sertão, onde pudesse organizar sua própria reserva de caça (Conservação…, 1971).

Em 1927, surgiu a oportunidade para a concretização do seu plano, pois seu pai localizara, nos sertões de Piratininga, 3.028 alqueires de mata. Olavo Amaral Ferraz se transformou num dos pioneiros da região, juntamente com colonizadores que afluíam aos rumos da nascente cidade de Garça (Silva, 1977). No caso específico de Garça verifica-se: “…o esforço colonizador de bandeirantes valorosos como Labieno da Costa Machado, Carlos Ferrari e Olavo Amaral Ferraz, entre outros, que, ao atingir a Alta Paulista, sentiram a vocação econômica das terras conquistadas para a cafeicultura. O acerto desta escolha se confirmou através dos anos, porque agora com os recursos proporcionados pela moderna tecnologia, essa região se transformou em expressivo cultivo econômico da rubiácea, especialmente em áreas como a do Rio do Peixe, conhecida pela qualidade de suas terras e alta produtividade” (Ramos Jr., 19778). As terras adquiridas por Olavo Amaral Ferraz passaram a ser chamadas de Fazenda Paraíso, situando-se no distrito de Fernão Dias, município de Gália, comarca de Garça, no Estado de São Paulo, distantes 460 km da Capital. As confrontações da fazenda Paraíso eram assim descritas: ao norte com a estrada municipal de Gália a Lupércio, ao sul com a estrada municipal Garça a Ubirajara, Sebastião Botelho e Ribeirão São João, ao leste com a estrada municipal Garça a Ubirajara e a oeste com a fazenda Torrão de Ouro. No ano seguinte iniciaram a abertura da fazenda, derrubando a mata e plantando 300 mil pés de café. A crise de 1929, que arruinou centenas de grandes cafeicultores paulistas, não afetou as finanças de Olavo Amaral Ferraz que, agindo com prudência, havia reservado amplos recursos econômicos para continuar a empreitada.

Em 1931, reiniciou a formação da fazenda Paraíso, dotando-a de sede e de instalações modelares. Sem esquecer o projeto da reserva de caça e contrariando seu pai que considerava a mata como um capital ocioso, ele deixou em pé 903,78 alqueires de floresta virgem, que foram cercadas por cafezais, a fim de evitar o perigo das queimadas.

Segundo relatos verbais, detectou-se que o desmembramento da fazenda em glebas deu-se de modo que a parte alta da área foi destinada ao plantio de café, a parte baixa de planície para a pecuária, algodão, arroz, milho e feijão e a mata foi mantida na parte das aguadas e mananciais.

A abertura da mata foi realizada por colonos imigrantes, principalmente portugueses e italianos, com equipamentos manuais (machado, foice, burros) e maquinários; e por empresas contratadas, tais como: Empresa de Mecanização Agrícola SA - EMA – particular, e Departamento de Engenharia Mecânica da Agricultura - DEMA – estadual. Parte da madeira retirada foi utilizada na construção de casas das colônias da fazenda, cercas e outros, em serraria própria importada da Alemanha, sendo a outra parte da madeira queimada ou não utilizada.

A fazenda foi dividida em seções, que abrigavam aproximadamente cerca de 500 famílias, oriundas da região e imigração (italianos, portugueses). Na ocasião os japoneses arrendavam parte da fazenda para o plantio de algodão.

Estimou-se que a fazenda, no seu auge, detinha um milhão de pés de café, 5.000 cabeças de gado; além das culturas anuais. O Sr. Olavo chegou a ter na fazenda o melhor plantel de gado nelore do Estado e do País. Na área da fazenda, que foi destinada à Reserva Zoológica e Florestal, estabeleceu cevas no interior da mata para a caça de animais silvestres que eram atraídos pelo sal e pelo milho. A visitação à Reserva era controlada, e a caça era permitida, inicialmente, somente às pessoas conhecidas. “Passando a observar melhor, do interior das choças bem dissimuladas das esperas, os hábitos de suas vítimas, o Sr. Olavo Amaral Ferraz começou a sentir remorso em abatê-las, sobre a comida que aceitavam com tanta inocência. O inveterado caçador principiou a sentir pena de matar. Deixando as armas de lado, ele passava horas entretido na pacífica contemplação dos bichos. Os aspectos e suas vidas simples, a pureza de sua existência primitiva, cativaram-no definitivamente. Na mata da Fazenda Paraíso nunca mais se ouviram tiros” (Conservação…, 1971).

Olavo Amaral Ferraz centralizou a alimentação dos animais numa grande ceva principal, e abriu picadas para permitir o acesso a cavalo. Posteriormente, para facilitar o trajeto até a ceva, o Sr. Olavo alargou a estrada, adaptando-a ao tráfego de automóveis, que hoje chegam a 400 metros do local.

O Sr. Olavo mantinha um funcionário (Sr. Bigode) que realizava a fiscalização da mata através de rondas diárias e tratava dos animais. Na época da seca, eram designados de oito a dez funcionários (não fumantes) para fazer a fiscalização e a prevenção de incêndios na mata. As visitas à ceva continuavam, apenas para convidados, para a observação e registro fotográfico da fauna e flora local. Algumas celebridades visitaram a Reserva: Nelson Rockefeller, Abreu Sodré, Carlos Lacerda, Getúlio Vargas, Dalgas Frish, pesquisadores de flora e fauna dos Estados Unidos e da UNICAMP e USP, Coimbra Filho, Dick Durrance (National Geographic), entre outras. Na época houve a visita do norte-americano Lyle K. Sowls (1984), pesquisador de animais silvestres da Universidade do Arizona, que estudou os queixadas e catetos e publicou a preciosa obra “The Peccaries”, dedicando-a ao “landowner” Olavo Amaral Ferraz.

Em 1970, nas visitas do primatólogo Dr. Coimbra Filho, do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, à Reserva, foi redescoberto o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), espécie considerada extinta até então.

“Visitar a ceva da fazenda Paraíso conduz qualquer pessoa, e principalmente o caçador inveterado, a uma espécie de estado de graça. Na atmosfera solene da grande mata, em contato tão íntimo com os seus inocentes habitantes, readquire-se uma noção de pureza há muito perdida nos embates da vida. Reaprende-se a amar valores que pareciam esquecidos, tais como querer bem aos animais que nos cercam. E, acima de tudo, consegue-se descobrir um universo de ternura nesse sonho de Olavo Ferraz” (Conservação…, 1971).

Observa-se que a preservação da Reserva Zoológica e Florestal na fazenda Paraíso demonstrava a atitude e filosofia conservacionista do Sr. Olavo Amaral Ferraz em relação à natureza.

A fazenda tinha a seguinte utilização do solo, descrita no laudo de desapropriação: 388,20 alqueires com 640.000 pés de café; 174,00 alqueires com culturas anuais; 113,00 alqueires com construções e instalações diversas; 1.444,80 alqueires com aceiros e áreas de pastagem, e 903,78 alqueires com áreas de mata (Reserva Zoológica).

O Sr. Olavo, preocupado com o destino da Reserva após seu falecimento, solicitou ao Governo do Estado de São Paulo um decreto de desapropriação, para a criação de uma unidade de conservação. Por três governos consecutivos ele buscou a desapropriação da Reserva Zoológica e Florestal, conseguindo em agosto de 1976, no governo do Dr. Paulo Egídio Martins, através do Decreto nº 8.346, declarar a área reservada de utilidade pública, para fins de desapropriação para a constituição de Reserva Florestal e Preservação dos Recursos Naturais. No dia 21 de agosto de 1977 o Instituto Florestal foi emitido na posse.‴

A área foi transformada em Estação Ecológica pelo Decreto nº 26.718, de 06 de fevereiro de 1.987.

Infra-estrutura

Alojamentos, áreas de camping, opções para alimentação…

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Referências